Em defesa do PT e de sua história: não as alianças espúrias

Nós, integrantes do Núcleo Américo Barreira, formado na sua maioria por militantes históricos do PT, vem por meio deste manifestar sua preocupação com os rumos do PT na presente conjuntura, especialmente em relação às alianças espúrias firmadas pelo partido em vários Estados, municípios espalhados pelo país.

Sublinhe-se que nossa manifestação, em respeito ao partido, suas instâncias e processos internos, restringe-se a presente direção e ao conjunto de seus militantes, pois sabemos do estigma, da campanha difamatória movida contra nós pela mídia burguesa e pelos demais detratores do campo liberal-conservador e reacionário.

Contudo, não poderíamos nos omitir frente às gravíssimas condutas, contrárias a todas os valores, programa e referências petistas, agravadas pelas imensas exigências postas ao PT, à classe trabalhadora, e ao povo brasileiro em seu enfrentamento com o governo protofascista de turno. Até mesmo do ponto de vista eminentemente eleitoral tal aliancismo espúrio fundado num pragmatismo rebaixado é deletério, desmoralizador, desorganizador de nossa base social e da nossa capacidade de ação, de mobilização de energias sociais.

O PT surge, cresce e justifica-se como expressão orgânica “dos de baixo”, das lutas cotidianas contra a exploração capitalista nas cidades, campos, junto aos movimentos sociais, às demandas das mulheres, negros, gays, aos intelectuais críticos nas universidades e fora dela, coesionando numa identidade partidária comum um repertório imenso de reivindicações, sensibilidades, trazendo-as da esfera corporativista e elevando-as ao plano da universalidade ético-política, da consistência programática. Por isso, consideramos o PT maior que seus eventuais dirigentes, cúpulas e parlamentares, posto que instrumento transformador da vida de milhões, encarnador do Princípio Esperança que nos lança em direção a construção de outro mundo, socialista porque radicalmente democrático, igualitário, livre, emancipatório. Consideramos essencial a preservação de nosso papel estratégico, contra-hegemônico, destacadamente pedagógico na formulação de saídas para o Brasil. Mais do que nunca precisamos de uma inteligência coletiva, ordenadora de nossos movimentos, energias, identidades plurais para a retomada do país, para a derrocada do horror, da destrutividade implementada pela extrema direita. Sem o PT, sem o patrimônio histórico de sua ação ético-política socialista, sem a consecução de um novo bloco histórico e social popular, nada disso será viável. O apetite oportunista, a sanha imediatista da “pequena política”, da mera reprodução de interesses eleitoreiros de caciques não pode, nem deve, sobrepor-se ás aspirações da militância petista, dos milhares e milhares de lutadores sociais espalhados pelo país, aguardando uma direção conseqüente, determinada, que dê conta das enormes e urgentes responsabilidades políticas, sociais, econômicas e culturais depositadas no PT.

Na condição de militantes, referências em nossos campos de atuação, construtores históricos do PT vimos a Direção Nacional do PT solicitar o imediato fim dessas alianças oportunistas, bem como a imediata provocação de um debate qualificado, estratégico, sobre as tarefas que nos cabe nesse momento dramático da vida coletiva nacional. O PT não pode faltar ao encontro com seu destino, com sua vocação de instrumento de libertação do povo, dos trabalhadores, de afirmação da consciência socialista em meio a uma crise brutal vivida pelo capitalismo, afinal quem defende o povo, é o PT.

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