A ECONOMIA CARA-PÁLIDA E OS VASOS COMUNICANTES ENTRE OS PODERES

É O QUE TEM PARA HOJE
VALOR EU & Fim de Semana 3 e 4 julho 21

…”o Brasil opta pelo retrocesso a um modelo capitalista subdesenvolvido e incivilizado. Um subcapitalismo rentista que lucra e muito com base em práticas arcaicas, destrutivas e antissociais, que compromete a sobrevivência não só das populações originárias mas também das populações rurais colocadas à margem de um crescimento econômico sem desenvolvimento econômico e social”
(José de Souza Martins em A ECONOMIA CARA-PÁLIDA pg 4).

Como chegamos aqui?

O Brasil entre os anos 30 e 70 se consolida como um país industrial importante combinado com um enorme atraso no campo. Quem explica melhor esse combinado é Chico de Oliveira em CRITICA DA RAZÃO DUALISTA. Obrigatório ler. Quem não ler, não passa.

A ditadura empresarial militar cria um UM NOVO REGIME FABRIL (1). É como se o país todo fosse um imenso arbeitlager, todo essa imensidão um imenso campo de trabalho.
Essa conceituação/definição está no relatório da COMISSÃO NACIONAL DA VERDADE capítulo do GT 13 dos Trabalhadores e Trabalhadoras. É um documento firmado pelas 10 Centrais Sindicais brasileiras.

Tínhamos no ” milagre econômico brasileiro” indicadores JAPONESES de crescimento anual do PIB de 8, 9 , 11,% .O Japão reformatado pelo USA no pós guerra era o NOVO brilho do capitalismo no começo do ciclo dos “tigres asiáticos”. O Brasil a carne fresca para os abutres do capitalismo central. Delegações de ministros da ditadura faziam périplos entre Ásia , Europa e USA para rastejar pedindo aos capitalistas para virem ganhar dinheiro no Brasil. Era o vale tudo. Trabalhadores contidos, sindicatos com interventores, censura à imprensa, repressão implacável com prisões ,sequestros e assassinatos dos lutadores revolucionários anti ditadura.

O capitismo viveu um “ciclo do ouro” no pós guerra. As economias dos países centrais estavam “maduras”. Já se colocavam exigências de transferir as atividades poluidoras (siderurgia, papel e celulose, alumínio que necessita enormes quantidades de energia). O destino era o Terceiro Mundo. E os ministros e embaixadores diziam literalmente que podiam vir poluir no Brasil.

A Borregaard papel e celulose instalada nas margens do Guaíba empesteou Porto Alegre com cheiro de ovo podre e isso se repetia Brasil afora.

A Amazônia recebeu todo tipo de mirabolantes iniciativas de saqueio: Projeto Jari, as grandes fazendas dos frigoríficos com INCENTIVOS FISCAIS., Fazendas do Bradesco, do grupo Silvio Santos (Tamakavi) ; os grandes grupos económicos fizeram exploração predatória de minérios ou tentaram substituir a floresta por gado. Tudo resultou num grande desastre ambiental mas ali foi onde se abriu a porteira Os militares e seus ministros asseclas nos devem mais essa.😡

Na fazenda Volkswagen – Rio Cristalino a queimada para desmatamento produziu ” o maior incêndio do mundo”. detectado pela NASA.

No caso da Volks ainda foram apanhados com trabalho escravo. Caras de pau: só 30 anos depois do fim da II Guerra a Volks volta a ter um arbeitlager, agora no Brasil.

Como funcionava a relação com esses capitalistas?
O governo entrava com a infra e todas facilidades legais violentando nossas próprias leis. Ou construindo delírios como a rodovia Transamazônica.

Os militares acreditavam estar fazendo o BRASIL POTÊNCIA e cavaram com brutalidade uma fossa para o país.

Cubatão se tornou o LOCAL MAIS POLUÍDO DO MUNDO com a devastação promovida por DOW, CARBO CLORO, RHODIA , COSIPA PETROBRÁS entre outras. Estão ainda lá os tais ” passivos ambientais”.

Foi feita a “transição lenta, gradual e segura” ; um pacto das elites , por cima, onde os militares assassinos e corruptos saíram assobiando de mão no bolso.🤨Nem foram punidos pelos grandes escândalos de corrupção nem pelos desaparecimentos de centenas de militantes políticos. Sequer abriram seus arquivos até hoje.

Passados mais de 30.anos da Constituinte temos hoje uma baita desindustrialização, desemprego recorde e “o Brasil Ê um grande exportador de produtos primários num remake do seu início como colônia portuguesa.

Temos frango, gado, minérios, soja . São as COMODITTIES que seguram a economia em que o CAPITAL NAO RECLAMA do DESGOVERNO dos COISOS e o povo pobre está perto do desespero no seu dia-a-dia.

Os povos indígenas são violentados desde o início da colonização.Resistiram e resistem.

Agora acaba de ser aprovado na Comissão de Constituição e Justiça- CCJ da Câmara Federal para ser votado em plenário o projeto que legalizará a USURPAÇÃO DAS TERRAS INDIGENAS no que José de Souza Martins denomina de chave para a ECONOMIA CARA PÁLIDA.

A presidenta da CCJ é a deputada Bia Kicsis uma furibunda aliada dos COISOS e faz dupla com Clara Zambelli presidenta da Comissão de meio ambiente. DIFICIL NÉ?

A boiada está passando embora tenha caído o criminoso Ricardo Salles que defendeu “passar tudo” aproveitando a pandemia-quarentena.

As manifestações de rua crescentes não conseguem incidir no ânimo dos deputados. Se aprova qualquer coisa combinada entre o DESGOVERNO e a cúpula da Câmara.
Pergunta Tostines: o Centrão é um puxadinho do Planalto ou o Planalto é um puxadinho do Centrão? 😃

Os protestos dos povos indígenas foram reprimidos, eles não foram sequer recebidos pelo presidente da FUNAI.

O presidente COISO recebe saqueadores do meio- ambiente, mineradores que ocupam terras indígenas, incendiários do Cerrado, madeireiros fora da lei.
As manifestações de 3 de julho em algumas cidades tiveram presença de indígenas e suas palavras de ordem foram incorporadas ao rol das prioridades.
Mas isso AINDA não muda as coisas em Brasília.

OS (PODRES ?) PODERES e seus vasos comunicantes

Apesar do STF ter dado suporte e garantias para que estados e municípios adotem medidas contra o negacionismo; o que inclusive é repetido pelo COISO presidente para justificar que ” não pode fazer nada” os TRIBUNAIS DE JUSTIÇA estão torpedeando.

Essa é a matéria UMA MÃO LAVA A OUTRA, MAS SÓ ENTRE PODERES de Maria Cristina Fernandes (pg 6 e 7)

Vamos lá:
Os governos estaduais os municipais para se DESOBRIGAREM de tomar medidas efetivas recorrem e ganham nos TJs -Tribunais de Justiça para não cumprirem medidas benéficas ao povo.

Exemplos: garantir merenda escolar a todos alunos durante a quarentena, reembolsar enfermeiros com gastos de EPI- equipamentos de proteção individual- porque o governo não os tinha fornecido, garantia de fornecimento de água potável durante a quarentena às comunidades e municípios (SP), revogação de pagamento de aluguel social para pessoas com comorbidades mas sem moradia e sem renda (PR),suspensão do afastamento de servidores com mais de 60 anos (PR), suspender a proibição de corte de fornecimento de água a inadimplentes, etc.

A lista é longa e detalhada na matéria.

A entidade JUSTA (organização não governamental voltada para a democratização da gestão pública da Justiça) fez levantamento em cinco estados : São Paulo, Paraná, Bahia, Ceará, Tocantins .Os governantes à direita e à esquerda ganharam de goleada nos TJs.
A coordenadora do trabalho Luciana Zafallon define ” O judiciário (STF) mostra-se como parte da solução, mas nos ESTADOS são parte do problema”.

O povo trabalhador, suas representações, vereadores e deputados progressistas tem uma enorme dificuldade nesse quadro.

São os poderes e seus vasos comunicantes.

E… por falar em tratamentos e medicina

Na matéria O CORPO SEGUNDO BERNADET ( de Amir Labaky pg 33) o critico e escritor Jean Claude Bernadet nos seus 85 anos lança agora o livro O CORPO CRITICO.
Jean Claude está praticamente cego tem alguns anos.

Ressalto:

1 ele anuncia que renunciou ao tratamento para seu câncer diante de uma medicina que trata a “longevidade” como uma “necessidade industrial”. Os tratamentos médicos que visam o lucro e não a pessoa. Quem tem ou teve uma pessoa querida a morrer numa UTI sabe o que é esse assunto

2 Ele já tinha nos anos 90 escrito e publicado A DOENÇA, UMA EXPERIÊNCIA onde descreve ” o cotidiano de seu embate para sobreviver à AIDS no período em que seu diagnóstico representava quase inexoravelmente uma sentença de morte”

Combater preconceitos, revolver o senso comum e enfrentar a vida como ela é.Baita lição🌹

Sebastião Neto – dirigente sindical e pesquisador do IIEP (Intercâmbio, Informações, Estudos e Pesquisas).

(1) o conceito de NOVO REGIME FABRIL para caracterizar a acumulação exercida no Brasil durante a ditadura militar é contribuição do historiador Murilo Leal no livro “INVESTIGACAO OPERÁRIA- Empresários, militares e pelegos contra os trabalhadores” editado em.2014 pelo IIEP Intercâmbio Informações Estudos e Pesquisas

Todos negritos e grifos e ressaltos são de minha responsabilidade

Compartilhe

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on telegram
Telegram
Share on whatsapp
WhatsApp

Deixe uma resposta