O PT, o sistema de todos, e o milionário do bem

No dia 15 de Junho de 2021 foi divulgado pela imprensa um encontro entre Lula e o empresário Altair Villar, dono de uma rede de “descontos” para serviços privados de saúde e educação ofertados pela própria empresa. O encontro, que contou com a presença da presidenta nacional do PT Gleisi Hoffmann, teve como tema, “os serviços prestados à população” pelo Cartão de Todos, empresa do Villar.

O empresário é uma figura intrigantemente contraditória. Já foi vereador em Ipatinga pelo PT (hoje está filiado ao PSB) e presidente do sindicato dos metalúrgicos do mesmo município. É autor de um livro sobre “administração solidária”. Sua empresa tem como principais apelos de marketing, o bom tratamento aos trabalhadores e as supostas benfeitorias à sociedade. Seria um burguês progressista, caso a “mercadoria” que comercializa não fossem “direitos de todos e deveres do Estado”. Por trás da máscara progressista há um milionário que enriquece vendendo aquilo que a Constituição garante enquanto direito!  

O cartão não é de todos. É de quem pode pagar. E não existe para possibilitar acesso a preços abaixo do mercado. Existe para dar lucro ao milionário do bem. A tal mercadoria vendida por Villar só pode ser comercializada se tiver (ou aparentar ter) alguma vantagem sobre o SUS. Ou seja, o projeto da saúde privada não é compatível com um sistema universal e integral, como se pretende o SUS. Para aparentar ter vantagem sobre o SUS, o sistema privado drena seus recursos através de isenção de impostos por alegarem filantropia, da dedução do imposto de renda, e da dívida bilionária que têm com o SUS pelos serviços que se recusam a oferecer. O serviço vendido por Villar é precário. Cada consulta ou exame é pago. Não cobre procedimentos complexos, não faz promoção de saúde, nem distribui gratuitamente medicamentos, nem tem ambulâncias. Não vacina, não faz reabilitação, nem vigilância. No frigir dos ovos, o cliente do Villar usará mesmo é o sistema de todos: o SUS. Mas pagará duas vezes: ao SUS através dos impostos e ao farsante. A vantagem sobre o SUS é só aparente, ideológica. Vem do mito promovido pelos “senhores da doença”, de que o SUS é ineficaz, ruim, lento, e precisamos mesmo é da saúde privada, por mais precária que ela seja. A mágica dos preços baixos do Villar é fácil de desmascarar: não é o lucro do milionário que cai, e sim os ganhos por consulta/procedimento do trabalhador. Aquele que o marketing diz que ganha pós-graduação e sorteios de franquias, é na verdade, superexplorado.

Desmascarada a farsa do milionário do bem, urge que o maior partido de esquerda do Brasil se mobilize na defesa do sistema de todos, e não do cartão de alguns. Que falemos dos “serviços prestados à população” pela FIOCRUZ, pela Atenção Básica, pelo INCA, pelos tantos trabalhadores e trabalhadoras da saúde. Em meio à pandemia e ao genocídio promovido pelo governo federal, não é o cartão que salva vidas. É o SUS. Que aproveitemos o momento para ampliar a defesa do SUS na sociedade, e não reafirmar o mito do sistema privado. Esse é nosso dever enquanto partido de esquerda defensor incondicional do direito à saúde. Por isso nos questionamos: Por que Lula e Gleisi estavam nesta reunião?

As notícias do encontro podem ser lidas nos links abaixo:

Coletivo petista Luta Saúde

Compartilhe

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on telegram
Telegram
Share on whatsapp
WhatsApp

Deixe uma resposta