O Controle da Pandemia – sugestões de medidas

A meta é reduzir a transmissão do vírus, o numero de infectados e consequentemente o de óbitos.

Priorizar o critério de internação em UTI para uma doença onde, em média, cerca de 40 a 50% dos que internam em UTI vão a óbito, taxa que aumenta para 60 a 80% nos pacientes intubados, para abrir ou restringir atividade econômica, vale dizer circulação de pessoas, é inadequado, incorreto;

As novas variantes do vírus, detectadas em várias cidades do Brasil, sobre os quais evidências sugerem maior potencial de disseminação na população, podem agravar a situação da pandemia da qual nunca saímos, desde março de 2020, apenas com uma leve redução entre setembro e novembro;

É preciso uma operação nacional para seu enfrentamento mais rápido e eficiente que preserve vidas e ajude abreviar o tempo para uma normalização da atividade econômica, social e cultural no país. Para isso sugerimos:

Implementação, em todo o país de lockdown durante 15 dias, seguidos de 15 dias de retorno normal às atividades, com uso das normas de segurança já conhecidas (máscaras, distanciamentos, medidas de higiene). Esse sistema vigeria alternadamente até o controle da pandemia, não apenas pelo critério de taxa de ocupação de leitos de UTI, mas pela drástica redução de infectados.

Na média, as pessoas quando têm contato com vírus se infectam entre dois e sete dias, alguns até 14 dias depois. A quarentena de 15 dias em casa permitirá que todos os que apresentem sintomas numa casa, bem como os moradores da mesma não retornem ao trabalho na semana seguinte até que testes de RT-PCR sejam feitos e se necessário mais de uma vez. Esta medida reduziria pessoas contaminadas circulando e podendo contaminar as demais, seja no transporte, no local de trabalho, nas escolas ou nos supermercado e farmácias;

Não teria os períodos de quarentenas todo o serviço de saúde. Pelo contrário, deve atuar a pleno vapor para estabelecer os contatos com as famílias nos períodos, tanto de quarentena como não. Papel central deve ter a atenção primária, com condições adequadas de trabalho e acesso a testagem com resultados conhecidos em até no máximo 48 horas;

Esta medida dá previsibilidade ao setor produtivo. Não apenas ajuda, como pode elevar o nível de o emprego;

Ao lado desta medida, apressar ao máximo a vacinação da população, que obedeça a um plano nacional pactuado sobre as prioridades;

Isto só é possível se for implantado nacionalmente, onde o governo federal, governadores e prefeitos tenham uma orientação e práticas comuns. Ninguém culpa ninguém e nem deixa para o outro a responsabilidade das ações;

Ao lado da medida sugerida é condição o apoio do Estado aos que não têm trabalho remunerado e para evitar a falência do setor produtivo, que emprega trabalhadores.

Ubiratan de Paula Santos é médico.

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