As águas de março derrubarão Bolsonaro?

O mês de março se inicia marcado pela deterioração das condições de vida da classe trabalhadora e pelo forte recrudescimento da pandemia. O surgimento de novas cepas, a suspensão das diversas medidas voltadas a promover o isolamento social, a cada vez menor adesão ao uso de máscaras, a vacinação a passos de cágados e, principalmente, a ação diuturna do governo Bolsonaro para descredibilizar as respostas científicas à Covid-19, são fatores que se acumularam ao longo dos últimos meses e, ao que parece, estourarão nas águas de março.

Tende a se agudizar, novamente, o conflito entre Bolsonaro e os governadores. Se lembrarmos, a resposta de cada lado no enfrentamento em 2020 se deu em patamares distintos: enquanto Bolsonaro elevava o tom e fazia política, governadores buscavam atuar com serenidade e voltados “à união nacional contra o inimigo comum”. Como resultado, a população naturalizou as centenas de mortes diárias e o objetivo de preservar a produção e reprodução do capital foi atingido. A falsa oposição entre vida e economia prevaleceu, como se esta última pudesse existir sem a primeira.

Aquele inimigo comum até poderia existir, se estivéssemos, por exemplo, em Cuba, China, Nova Zelândia ou Vietnã, em que houve uma ação nacional unificada de enfrentamento ao vírus. Convocar à “unidade nacional” ou falar nos termos da “boa convivência entre os entes federativos”, neste momento, aprofundará a crise e mais: possibilitará que, novamente, Bolsonaro tenha margens para jogar.

É chegado o momento de governadores bradarem aos quatro cantos: o país vive um genocídio, e os culpados são Bolsonaro, Mourão, Pazuello e o conjunto do governo federal.

É fundamental que governadores petistas e de esquerda consigam liderar uma posição de enfrentamento aberto ao governo Bolsonaro, voltada a derrubá-lo por seus diversos crimes de responsabilidade, notadamente o genocídio contra nosso povo. É preciso o restabelecimento imediato do auxílio emergencial   preservando as verbas para educação, saúde e os direitos dos servidores. É urgente viabilizar a vacinação em massa a partir do Consórcio do Nordeste e em defesa do SUS.

Não há outro caminho senão polarizar e aumentar a politização da classe trabalhadora, mostrando que o neofascismo e o neoliberalismo estão matando milhares de brasileiras e brasileiros todos os dias.

          A batalha quanto ao isolamento social foi vencida pelo bolsonarismo; desta vez, é a batalha da vacinação em massa que nos abre uma janela de oportunidades de vencermos a guerra.

E o primeiro passo é nos convencermos que estamos em meio a uma guerra.

Daniel Valença é professor da graduação e mestrado em Direito da UFERSA; Vice-Presidente do PT/RN

04/03/2021

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