Machista pra caralho

Não bastasse o aumento no número de feminicídios e outras violências de gênero durante o período da pandemia, o desprezo pela figura feminina e sua autoridade ganhou esta semana mais um episódio público de embrulhar o estômago.

O protagonista foi o deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ), que disparou contra uma policial civil feminina uma amostra de seu arsenal verborrágico machista, durante seu showzinho no Instituto Médico Legal do Rio de Janeiro. O local foi parada obrigatória antes de o escroto elemento ser levado para a sede da Polícia Federal, onde passou a noite de quarta-feira (17) preso, após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

Silveira foi detido em sua casa em Petrópolis (RJ), por ter difundido nas redes sociais um discurso de teor fascista, com toda ordem de ameaças a ministros do STF e ao Estado Democrático de Direito. Mesmo com a polícia já em sua casa, ele divulgou mais um vídeo repleto de impropérios e com mais ameaças. Uma hora depois, entrou no carro da polícia ainda usando o celular, como se a um passeio fosse.

No IML, o alvo do fascista passou a ser uma mulher. “A senhora não manda em mim não”, foi uma das respostas do deputado à policial feminina que exigia que ele usasse máscara no recinto, ao que Silveira se recusava. Não só se mantinha sem máscara, como ameaçava a policial aos gritos, caminhando de peito empinado pelo saguão de entrada: “E se eu não quiser botar? E se eu não quiser botar?”.

O troglodita era observado e seguido pelo nitidamente submisso e amedrontado delegado que o conduzia, e que agia com o previsível modus operandi com que um policial trata um prisioneiro branco, com mandato político, que fala grosso e alto. Mesmo enquanto o deputado, de maneira autoritária, ofensiva e machista, se dirigia à policial da recepção, o delegado era mero cúmplice. Silveira inclusive pousava uma de suas mãos sobre o ombro do delegado vez ou outra quando falava. Não fosse o distintivo, haveria dúvidas sobre quem estava preso.

A policial, com tom educado, porém firme (no vídeo difundido não é possível ver a imagem dela), insiste que o deputado ponha a máscara e ainda argumenta que é para a segurança dele também. “A senhora é policial e eu também sou polícia, e daí?”, reagia o sujeito, inflado de anabolizantes, arrogância e soberba, que foi eleito em 2018 com 31.789 votos.

Quase sussurrando, o delegado parece convencer o deputado a usar a máscara. É quando o distinto parlamentar arremata: “Folgada pra caralho”.

Rita Camacho é jornalista e autora do título também.

Compartilhe

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on telegram
Telegram
Share on whatsapp
WhatsApp

Deixe um comentário