Aos quarenta e um anos o PT ainda é o novo na política brasileira.

Seriam cômicos, não fossem trágicos, os reincidentes comentários sobre a necessidade de autocrítica e renovação no PT. Inclusive os que partem de filiados, militantes (atuais ou ex) e simpatizantes. 

Vamos aos fatos. O PT é o único partido político na história do Brasil que foi criado pelo povo, na base, por pessoas na maioria sem passado político eleitoral. Todos os partidos até então haviam sido criados a partir da cúpula, seja de partidos preexistentes ou de pessoas oriundas de partidos preexistentes (caciques e coronéis). Ou por empresários, ou pela elite intelectual ou militar, nunca pelo povo. E somos um partido que nasceu com a fé absoluta na democracia por saber que sua única chance de se firmar no cenário político nacional seria através dos votos do povo. Afinal, não tínhamos dinheiro, armas, cargos, figurões e nem mesmo uma aliança internacional que nos sustentasse. Nossa esperança era a conscientização do trabalhador.

Desde então, nenhum outro partido surgiu da mesma forma, sempre foram ramos de partidos existentes, ou aventuras de poderosos, ou ainda agremiações corporativas formadas pela elite. Um exemplo são os partidos com viés ecológico, ambiental ou verde, uma aspiração válida e importante, mas restrita a um tema. Em países com longa tradição democrática, há espaço legítimo para partidos setoriais, que defendam bandeiras limitadas dentro de um Estado que funciona e cumpre o papel de garantir as necessidades básicas da população. Nós estávamos em 1980 e ainda estamos em 2021, longe disso. Analfabetismo, ausência de saneamento básico, déficit habitacional, baixa escolaridade média, péssima distribuição de renda, sistemas judiciário, penitenciário e policial que pune o povo e protege a elite, entre outras mazelas, nos afastam da civilização ocidental.

O PT passou toda sua vida sendo atacado pela mídia corporativa, pela elite, pelo empresariado, pelas multinacionais e pelas potências estrangeiras com interesses nas suas empresas e nas remessas de seus lucros. Mesmo assim, a partir do nada, elegemos vereadores, prefeitos, deputados estaduais, governadores, deputados federais, senadores e quatro vezes elegemos democraticamente um representante do povo para a presidência da república. Durante os anos em que detinha o poder maior da nação, a prática de reuniões cotidianas nos diretórios zonais e municipais continuou. A eleição de representantes para os encontros das várias setoriais (Agrária, Meio Ambiente e Desenvolvimento, Cultura, Mulheres, Combate ao Racismo, LGBT e Sindical) continuou a ocorrer nas plenárias municipais, depois nas macros, seguidas das estaduais e por fim das nacionais. Quantas vezes presenciei essas consultas a partir das bases, nos vários assuntos de interesse dos trabalhadores e do país! Desconheço outro partido brasileiro que promova a democracia interna e a participação com esse vigor, essa abrangência territorial e temática e essa capilaridade.

O PT continua a ser novo, mesmo que muitos de nós estejamos mais rodados e vividos. O partido tem por norma, definida em congresso interno, a garantia e o fomento da participação de jovens e mulheres nos postos de comando de toda a estrutura partidária. Elegemos o primeiro trabalhador e a primeira mulher para a presidência. A nossa presidente é mulher. Temos entre os filiados uma juventude criativa e combativa. E repito, o PT tem uma atuação nacional e abrangente, não limitada a um tema ou região.

O PT não foi criado com sede de poder pelo poder, para alguns. O PT foi criado, lutou e luta para dar protagonismo aos interesses da classe trabalhadora e do povo brasileiro. Acreditamos que, numa verdadeira democracia, enquanto lutarmos pelo interesse da maioria, seremos eleitos seus representantes. Nossa crença é que a única forma pacífica de fazer ouvir os anseios da maioria menos privilegiada é através do voto livre e consciente. Confiamos que num debate justo de ideias e propostas, sairemos vitoriosos toda vez que soubermos expressar a vontade e necessidade da maioria do nosso povo.

O PT vai permanecer fiel à sua base, profundamente enraizada no povo brasileiro, sendo formado e alimentado por ela para representá-la. E nós temos, graças à estreita e continuada ligação com essa base, propostas e projetos para um Brasil melhor, no qual o povo seja mais feliz, tenha mais emprego e renda, seja protegido pelo Estado e não perseguido por ele. O PT não quer nem precisa derrubar ninguém, aliado ou adversário, para atingir seus objetivos. Nós seguiremos defendendo nossos princípios e nosso povo. Se formos julgados nas urnas, de forma realmente livre e democrática, aceitaremos, como sempre fizemos, os resultados, tanto favoráveis como adversos. Mas exigimos o mesmo comportamento de quem quer participar dos mesmos pleitos. A democracia só se faz com partidos e votos livres. Mais de uma vez fomos vítimas de práticas ilegais e antiéticas em eleições nos mais variados níveis, mas continuamos e continuaremos acreditando que só o aprimoramento da democracia é o caminho para um país e um mundo estável e sustentável, que cuide do bem-estar e da felicidade da maioria da sua população.

Hoje nossa bandeira é que toda a população seja vacinada o mais rápido possível, seguindo a ordem de prioridades estabelecida por critérios técnicos e científicos reconhecidos internacionalmente. Enquanto não reestabelecermos a normalidade sanitária no país, lutamos também por um auxílio emergencial para todos os que necessitam e em valor compatível com a sobrevivência e dignidade humanas. Por fim, exigimos que as próximas eleições sejam livres e transcorram em condições de igualdade e justiça, o que inclui a total restituição dos direitos políticos de Lula, que nunca deveriam ter sido cassados, e a proclamação de sua inocência. E que vençam os melhores, mas em embates justos.

Alfredo José Barreto Luiz, 57, ex-presidente do Diretório Municipal do PT em Caçapava, SP.

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Este post tem 2 comentários

  1. Olga Camilo DM Taubaté-SP

    Perfeito, faço minhas as suas palavras. Mas é preciso que a direção do Partido viabilize as condições para que a militância participe efetivamente das atividades como encontros, conferências, congressos. Divulgando datas e documentos-base com a antecedência necessária! Nem sei se esse é um canal para essa preocupação, mas…

  2. Paulo Roitberg

    Realmente muito boa abordagem do companheiro Alfredo, com uma visão histórica e resumida das nossas origens da qual é motivo de orgulho de todo militante e com uma leitura do cenário de um passado recente de perseguições ao nosso partido e as nossas principais lideranças. Destaca nossos objetivos intransigente do momento atual em que passa o nosso país e concluiu conclamando aqueles que contribuíram para cenário atual da nossa nação, à uma disputa limpa e democrática para reconstruirmos o Brasil.

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