Sobre Francisco Weffort

Weffort é um clássico. Um liberal de esquerda nos anos 60 e 70, foi chegando pro centro e para a direita com sua entrada no Governo FHC, de quem sempre foi um figadal aliado na luta contra a tradição trabalhista e sua radicalização socialista. O livro dele sobre populismo na política brasileira já continha tanto as críticas que fez à teoria da dependência quanto a sua compreensão do populismo como um fenômeno datado entre os anos 50 e 60. Weffort defendia a construção de um partido operário social democrata em aliança com o capital estrangeiro e o abandono da questão nacional como estratégia de Estado, em favor de disputas no âmbito da sociedade civil através de sindicatos fortemente organizados, dentro de regras de arbitragem democraticas, relativamente centristas.

Um documento clássico desse período é o debate sobre a democracia brasileira entre Theotonio dos Santos, Francisco Weffort, Carlos Nelson Coutinho e João Machado, publicado em 1986, onde Weffort e Coutinho, dentro de uma estratégia eurocomunista, diziam priorizar as lutas democráticas sobre as lutas antiimperialistas e ressaltavam as formas moderadas de avanço social para garantir a consolidação do “Ocidente” no capitalismo brasileiro. De outro lado, Theotonio denunciava a dependência estrutural, seu vínculo com a desigualdade, a superexploracao dos trabalhadores e os limites da democracia brasileira nos marcos estruturais do capitalismo dependente.

A obra de Weffort praticamente desapareceu nos anos 90 com sua entrada no Governo FHC e a derrota tucana para seu velho partido entre 2002-14. Entretanto, o perfil de partido que se construiu no PT e seu fracasso tem muito a ver com sua obra. Sua estratégia liberal e moderada de avanços sociais e políticos se revelou muito mais frágil que as nacionais-populares. A burguesia dependente pulverizou com o consenso de Washington a formalização sindical dos anos 80 e o golpe de Estado de 2016 assentou uma estocada contundente na sua recuperação no século XXI.

Vi Weffort na UFRJ algumas vezes, sem a repercussão correspondente à sua obra e papel histórico. Vínculos com o acanhado Departamento de Ciência Política sequer se estabeleceram, salvo a participação numa banca de concurso para professor titular, quando caminhava de bengala e alguma dificuldade.

Infelizmente não encontro mais em minha biblioteca seu livro sobre populismo na política brasileira. Provavelmente deixei em alguma xerox para os alunos, e esqueci de pegar de volta. Mas foi um acidente. Se alguém tiver o pdf completo eu agradeço

Carlos Eduardo Martins

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