Minha perna é minha classe

É O QUE TEM PARA HOJE
Texto de Gilney Viana e dados biográficos de Manoel da Conceição

“MINHA PERNA É MINHA CLASSE”

(Tentaram cooptar Manoel da Conceição quando tinha perdido uma perna gangrenada na cadeia resultante de um tiro desferido pela Polícia Militar.Essa frase famosa expressa a firme resistência de Manoel ao não se vender. O que Gilney chama de compromisso de classe.E continuar lutando a vida inteira)

Hoje essa pancada.Manoel partiu.O camponês rebelde que se recusou a ser cooptado.Preso, torturado,exilado.

Retornando,se manteve incansável lutador.

Manoel nos lembra as lutas camponesas que já vinham de antes do golpe militar de 64
Manoel é da mesma cepa de lideranças camponesas como.José Porfirio, Elizabeth e João Pedro Teixeira, Jeremias ,José Gomes Novaes, Lyndolpho Silva ,Gregório Bezerra, entre outros.

É necessário resgatar a história desses lutadores da tão invisibilizada luta pela terra e da secular resistência dos trabalhadores do campo ao latifúndio e ao agronegócio.

A história da vida de Manoel está no livro CHÃO DE MINHA UTOPIA editado em 2010 pelo NEAD-Ministerio do Desenvolvimento Agrário

Agradecimentos pelo esforço de hoje de JSLL, GN e PM e Gilney

🌹LONGA VIDA AOS QUE LUTAM🚩

Sebastião Neto – dirigente sindical e pesquisador do IIEP (Intercâmbio, Informações, Estudos e Pesquisas).

SEGUE O TEXTO ESCRITO HOJE POR GILNEY

EM MEMÓRIA DE MANOEL DA CONCEIÇÃO

Gilney Viana

Brasília, 18 de agosto de 2021

Manoel da Conceição, líder camponês,
fez história, conhecida em vida.
História de vida que sintetiza a história da resistência camponesa,
aos latifundiários e grileiros, à ditadura militar e ao agronegócio.

Manoel, o camponês,
em sua simplicidade de ser, de ver e lutar,
antecipou a teoria da autonomia camponesa
diante do capital e do latifúndio,
e da sua potencialidade revolucionária,
para mudar a sociedade, o Brasil, o Mundo.

Manoel fez da Bíblia uma leitura da sociedade
e um instrumento de luta para muda-la.
Inicialmente fundando escolas para ensinar
o camponês a ler;
e depois acenando lhes com a utopia
da bem aventurança na terra.

Encontrou na Igreja Católica, o apoio quando atacado;
a defesa diante da perseguição política,
e o asilo, após ser resgatado dos centros de tortura
da ditadura militar.

Manoel, o líder camponês,
jamais negou sua classe, seu povo, sua luta.
Entendeu o que é inimigo de classe,
ainda em sua juventude, quando vivenciou
a ação da Polícia que assassinou 7 camponeses de Pirapemas
que ousaram desafiar a lei não escrita do latifúndio
que ao camponês não era permitido se organizar
e muito menos lutar pela terra.
Não sem resistência desesperada,
que resultou na morte do tenente e de um soldado.
Seja quando organizou três mil camponeses
no Sindicato camponês de Pindaré Mirim, em 1963,
desestruturado pelos militares golpistas de 1964.
E o reorganizou no pós golpe, liderando os camponeses
em defesa das suas roças, invadidas pelo gado dos latifundiários,
lançando a palavra de ordem “gado que come roça, come bala”,
seguida da prática.
Ao ato simbólico dos camponeses,
os senhores de terra e de gado responderam
com o ato real da violência ilegítima do Estado.
No dia 13 de julho de 1968, lembra bem Manoel,
a polícia cercou a reunião em que promovia assistência médica
aos camponeses, e deram o grito:
Quem é Manuel da Conceição?
Sou eu – assumiu e se apresentou,
logo atingido pela fuzilaria que lhe custou a perna.
Preso, sem assistência médica, teve que amputa-la.
Quando o governador Sarney tentou lhe cooptar,
ele recusou, mostrando lhe a perna mecânica:

“Minha perna é minha classe”

Como se não bastasse o aprendizado da vida,
agregou ao ensinamento da Igreja, o ensinamento de
um partido político de esquerda, a Ação Popular. E foi para São Paulo.
Aprendeu e ensinou à Oposição Sindical, em 1968.

Viajou o mundo e se encantou com a China socialista.
Retornou mais uma vez ao Mearim,
agora munido de uma teoria revolucionária
que lhe parecia consistente porque fazia do camponês
um protagonista da história.
A estratégia da guerra revolucionária a partir da base camponesa do Mearim
não resistiu à repressão militar,
mandando lhe para a prisão e para a tortura
da qual saiu quebrado fisicamente e
inteiro moralmente.

Preservou se e preservou o sonho do protagonismo camponês,
na revolução socialista

Mais uma vez a Igreja Católica foi o seu refúgio, o seu asilo.

Em Genebra continuou a luta sob outras formas,
até que retornou ao Brasil, com a anistia política,
para organizar o PT, a CUT, o CENTRU e retomar a luta camponesa
sob nova conjuntura, sem negar os ensinamentos
das lutas passadas

Aventurou se pela política institucional em Pernambuco e
depois se recolheu ao Maranhão, seu território de origem.
Em Imperatriz, estabeleceu sua última base camponesa de resistência,
Até que se apagou a chama da vida
E explodiu a chama da História.

Gilney Viana em 18 8 21

🚩🚩🚩🚩🚩🚩🚩🚩🚩BANDEIRAS AO ALTO PARA MANOEL DA CONCEIÇÃO
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Divulgação IIEP Projeto Memoria da Oposição Metalúrgica de São Paulo

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