A capitulação e o oportunismo

Algumas postagens buscam difundir o medo nas pessoas sobre o #7SForaBolsonaro… pronunciamentos apontam a possibilidade de confrontos com seguidores do “coiso” e afirmam que esses enfrentamentos devem ser evitados;

Nenhum dos pronunciamentos que defendem a capitulação aponta a adoção de medidas óbvias de segurança dos manifestantes. Não falam da necessidade de as pessoas andarem em grupo ou de se postarem em locais de acesso a rotas de fuga do Vale do Anhangabaú;

Não é verdade que o local seja uma espécie de beco sem saída. De um lado temos o acesso ao começo da Avenida São João e às ruas Líbero Badaró e São Bento. Bem no meio do Vale do Anhangabaú se pode chegar, com certa facilidade, à Praça Ramos de Azevedo (onde fica o Teatro Municipal). E, do outro lado, não é difícil de se acessar a Ladeira da Memória, o início da Avenida Nove de Julho e a Praça da Bandeira;

A defesa da capitulação tem ainda outro defeito grave. A única alternativa que apresenta é o improvável cancelamento da manifestação. Como isso não vai acontecer, especialmente porque o Grito dos Excluídos acontece há mais de duas décadas e meia, sempre no dia 7 de setembro, o objetivo do discurso de medo parece ser mesmo o de desmobilizar a manifestação;

Voluntariamente ou não, o raciocínio da capitulação reforça a manifestação convocada por entidades que discordam do “coiso”, mas que aprovam o programa econômico do governo fascista e, neste aspecto, um certo roqueiro postou que comparecerá ao ato do dia 12 de setembro porque é “capaz de deixar as diferenças de lado para pedir FORA BOLSONARO”;

Por esta lógica, o roqueiro apoiador do ImbeCiro poderia comparecer, também, às manifestações do #7SForaBolsonaro, mas ele insiste em recomendar o cancelamento dos protestos desta terça feira, do mesmo jeito que fazem os disseminadores do medo e defensores da capitulação;

Com relação aos disseminadores do medo, é importante lembrar que quem já esteve em assembleias de metalúrgicos no Cine Roxy e na garagem da Galvão Bueno nunca vai estar em nenhum beco sem saída. Sempre haverão cuidados a serem observados para garantir a segurança das pessoas e para fortalecer a defesa da democracia e da justiça;

Sobre oportunismos parecidos com o do roqueiro, devemos estar sempre preparados. Esse tipo de raciocínio estúpido já foi utilizado outras vezes e, desgraçadamente, resultou em derrotas para as classes populares. Foi por aderirmos a essas ideias que tivemos que engolir a transição lenta, gradual e segura e que amargamos, até hoje, a anistia recíproca que resultou no “coiso”.

Reafirmar a importância do #7SForaBolsonaro representa mais do que enfrentar a capitulação e o oportunismo. Estar no Vale do Anhangabaú é fortalecer a luta contra todas as exclusões do capitalismo e colocar, ao lado da luta contra o fascismo, a luta contra a exploração.

Por Zé Claudio

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