7 de Setembro

O neofascismo brasileiro está nas ruas, internacionalmente articulado com grupos parcialmente e provisoriamente derrotados. A estratégia fracassada de tomada do Capitólio esta sendo reeditada aqui por Bannon e seus aliados locais. O objetivo é tomar o STF, substituir os 10 ministros, excetuado Nunes Marques, por outros nomeados por decreto presidencial e depurar o Congresso das forças que se levantarem contra essa intervenção.

Eles têm o Presidente, as milícias neofascistas, o financiamento dos setores menos internacionalizados e de menor composição orgânica do grande capital, e o apoio de parte do aparato repressivo. O 7 de setembro pode ser um ensaio ou um desfecho.
Eles são barulhentos, relativamente organizados, mas são a minoria do Brasil.

A luta contra um segundo golpe de Estado que complete o avanço fascista no Brasil é tarefa por excelência das esquerdas e dos movimentos sociais. Cabe a eles articular uma frente popular anti-fascista com as forças políticas internacionais e internas, sem abrir mão de suas bandeiras, de seu protagonismo e radicalismo para ir a raiz dos acontecimentos. Torna-se fundamental a articulação com as forças democráticas e populares latino-americanas, o eixo geopolítico mundial ascendente liderado por China e Rússia, as forças sociais-democratas estadunidenses e europeias, e as forças da burguesia local que temem a criação de um monopólio político que altere as hierarquias internas de poder do grande capital, em função de sanções e favores de Estado.

Só as esquerdas poderão mobilizar a base de massas para isso, diante de uma aristocracia burguesa desmoralizada por anos de políticas neoliberais e por seu envolvimento no golpe de 2016, que sepultou a Nova República, a Constituição de 1988 e iniciou a escalada fascista sobre o Estado brasileiro. O declínio da fração industrial e os limites colocados pelos estoques da dívida pública para a extração de renda têm inclinado o padrão de acumulação em direção ao agro. Essa é tenfencia que acentua a tragédia da burguesia nacional enquanto fração de classe. Novas fronteiras de acumulação primitiva e superexploracao dos trabalhadores estão de braços dados na reestruturação do padrão de acumulação.

Mas se a frente anti-fascista é necessária, dado o desgaste provocado sobre a esquerda pelo capitulacionismo do segundo mandato de Dilma, que enfraqueceu seu apelo às massas e poder relativo, também é fundamental não subordinar a estratégia à tática. Não podemos abrir mão de uma política de erradicação da superexploração dos trabalhadores como pilar da acumulação burguesa, da imposição de uma ampla reforma agrária para banir o latifúndio, da superação do monopólio midiático para engendrar uma ofensiva cultural criativa e popular e do estabelecimento de uma justiça de transição para punir os crimes da ditadura militar do grande capital. O monopólio midiático, a transformação das forças armadas brasileiras em uma guarda pretoriana e colonial do imperialismo norte-americano e dos segmentos mais atrasados do grande capital, o latifúndio modernizado como agronegócio e a superexploração dos trabalhadores estão na base dos ataques à democracia brasileira.

Todavia, ir nessa direção exigirá um balanço crítico das políticas brasileiras do ciclo progressista e a superação do reformismo fraco por uma estratégia com efetivo potencial de mobilização e politização da população brasileira. Do contrario continuaremos vítimas do fetiche do institucionalismo liberal que marcou as ciências sociais brasileiras nos últimos 40 anos, em grande parte financiado por agências internacionais, penetrou nos partidos políticos e nos desarmou para enfrentar os graves conflitos sociais que permeiam a formação social brasileira.

Carlos Eduardo Martins

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