JUDICIALIZAÇÃO DA AVALIAÇÃO CAPES

É triste ver os argumentos utilizados pelos/as colegas que são contra a juducialização da avaliação da Pós Graduação.

Eu jamais gostaria que tal coisa, a judicialização, ocorresse, mas acho que ela veio tarde. Já devia ter vindo há anos.

Agora querem fazer crer que há unanimidade na Comunidade Acadêmica sobre a forma como se dá a avaliação. Não há! O que há é a colonização de algumas áreas e instituições pelas mais fortes, e pronto.

Mudar as regras depois do jogo jogado, alterar o qualis e prejudicar retroativamente quem já publicou, estabelecer o inglês como língua padrão etc etc só é aceitável para quem dirige a posteriori o jogo e, pior ainda, quem ganha com as mudanças.

Dizer que:

“— A avaliação é uma comparação, não se pode definir previamente os valores que qualificam o curso. Só é possível comparar quando se está praticamente no final do período avaliativo. O preocupante é que pessoas que não entendem do assunto estão atrasando um processo importante para a academia brasileira ” (R. J. Ribeiro, Presidente da SBPC), é abusar do bom senso de quem pensa avaliação como avaliação e não como política e classificação e de financiamento.

A Avaliação da Capes se transformou na única política de Pós Graduação há anos. Ela não faz parte da política; ela é a política.

Não naturalizar isso, assim como dizer que foi profundamente equivocado um programa de internacionalização que fez tábula rasa do que já existia e excluiu as humanidades, é fundamental. Sob pena de acharmos, agora, que é a judicialização que estabeleceu o caos na CAPES. Não foi.

O caos da CAPES era previsível antes mesmo do Temer, que, diga-se, recebeu o apoio de inúmeros acadêmicos. Quem se lembra do desleixo absoluto com que a CAPES, antes mesmo do TEMER, tratava o CTC da Educação Básica e as formas equivocadas de condução da Avaliação? Quem se lembra que na elaboração do Plano Nacional da PG, para falar sobre Educação Básica, a Comissão preferiu dialogar com o Todos Pela Educação e a ABC e não com a ANPED e outras instituições que atuam na área?

Vir, agora, debitar o caos à judicialização é desconsiderar as poĺiticas da CAPES – feitas pelos pares e pelos ímpares – e que há grupos, àreas e instituições que ganham com isso.

Sejamos francos e francas, dar um “cavalo de pau” no sistema, ainda que seja pela via da judicialização, pode ser a única forma de dizer, em alto e bom som, que “O REI ESTÁ NU”; e não é de hoje.

Luciano M. Faria Filho – Pro. Titular UFMG/Pesq. CNPq e FAPEMIG

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