Pandora Papers: megainvestigação mobiliza 615 jornalistas de 117 países

Apuração do Poder360 com o ICIJ revela dados financeiros em paraísos fiscais neste domingo .

Foto original Poder 360. Nova investigação do ICIJ, Pandora Papers mobilizou mais de 600 jornalistas

A nova investigação do ICIJ (https://www.icij.org/) (Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, na sigla em inglês) sobre finanças internacionais e paraísos fiscais será revelada ao público a partir de 13h30 de domingo (3.out.2021). O Poder  360 publicará as reportagens da série nesta página especial (https://www.poder360.com.br/pandora-papers/).

O projeto foi batizado de Pandora Papers em referência à personagem em cuja caixa estariam todos os males da humanidade, segundo a mitologia grega. “A Caixa de Pandora invoca o mal e o poder”, explica um dos integrantes do consórcio. Quase 12 milhões de arquivos foram analisados.

Participaram da investigação 615 jornalistas de 149 veículos em 117 países. O material está sendo analisado há cerca de 1 ano para a preparação da série. No Brasil, fazem parte da apuração jornalistas deste jornal digital Poder360, da revista Piauí, da Agência Pública e do site Metrópoles. No Poder360, foram mobilizados 7 jornalistas para cuidar desse projeto, além de toda equipe de profissionais que fizeram infográficos e vídeos.

Trata-se da maior apuração colaborativa já realizada pelo ICIJ. Participam jornalistas de 29 países a mais em relação aos integrantes da força-tarefa que produziu a série anterior, FinCen Files (https://www.poder360.com.br/fincen- files/), em 2020.

Nas redes sociais, as publicações da série poderão ser encontradas a partir da hashtag #PandoraPapers.

O ICIJ só tem jornalistas associados por convite. No Brasil, o diretor de Redação do Poder360, Fernando Rodrigues, faz parte do ICIJ desde 1999, quando o consórcio ainda era uma seção de outra ONG, o Center for Public Integrity (https://publicintegrity.org/), idealizada pelo renomado jornalista norte- americano Charles Lewis (https://www.american.edu/soc/faculty/charlesl.cfm). Tanto o CPI (https://publicintegrity.org/inside-publici/center-for-public- integrity-wins-pulitzer-prize-for-panama-papers/) como o ICIJ (https://pulitzercenter.org/blog/icij-wins-pulitzer-prize-panama-papers- project) já foram vencedores do Pulitzer Prize (https://www.pulitzer.org/), a honraria mais celebrada para o setor de jornalismo nos EUA.

O Poder 360 publica reportagens em colaboração com o consórcio há vários anos (desde o ano 2000, quando este jornal digital ainda era uma operação jornalística de Fernando Rodrigues no UOL (https://www.poder360.com.br/quem-somos/)). Já foram reveladas fortunas em paraísos fiscais de pessoas citadas na operação Lava Jato (https://www.poder360.com.br/lava-jato/), políticos, empresários bilionários, donos de grupos de mídia, artistas e jogadores de futebol, entre outros grupos.

A seguir, os links das páginas das investigações que tiveram participação direta do Poder360. Clique no nome das séries para ter acesso completo ao que foi publicado:

HSBC-Swissleaks (https://www.poder360.com.br/swissleaks-hsbc/) (2015);

Panama Papers (https://www.poder360.com.br/panama-papers/) (2016);

Bahamas Leaks (https://www.poder360.com.br/tag/bahamasleaks/) (2016);

Paradise Papers (https://www.poder360.com.br/paradise-papers/) (2017);

Bribery Division (https://www.poder360.com.br/bribery-division/) (2019);

Luanda Leaks (https://www.poder360.com.br/luanda-leaks/) (2020);

FinCen Files (https://www.poder360.com.br/fincen-files/) (2020).

Veja no infográfico abaixo o que o ICIJ e o Poder360 descobriram nas investigações anteriores recentes:

INTERESSE PÚBLICO

Como estará registrado em diversos textos da série Pandora Papers, ter uma empresa offshore ou conta bancária no exterior não é crime para brasileiros que declaram essas atividades à Receita Federal e ao Banco Central. Se não é crime, por que divulgar informações de pessoas cujo empreendimento no exterior está em conformidade com as regras brasileiras? A resposta a essa pergunta é simples: o Poder 360 e o ICIJ se guiam pelo princípio da relevância jornalística e do interesse público.

Como se sabe, há uma diferença sobre como brasileiros devem registrar suas empresas.

Para a imensa maioria dos cidadãos com negócios registrados dentro do Brasil, os dados são públicos. Basta ir a um cartório ou a uma Junta Comercial para saber quem são os donos de uma determinada empresa. Já no caso de quem tem uma offshore, ainda que declarada, a informação não é pública.

Existem, portanto, 2 tipos de brasileiros empreendedores: 1) os que têm suas empresas no país e ficam expostos ao escrutínio de qualquer outro cidadão; 2) os que têm condições de abrir o negócio fora do país e, assim, proteger os dados por sigilo.

Essas são as regras. Neste espaço não será analisado se são iníquas ou não. A lei é essa. Deve ser cumprida. Cabe ao Congresso, se desejar, aperfeiçoar as normas. Ao jornalismo resta a missão de relatar os fatos.

É função, portanto, do jornalismo profissional descrever à sociedade o que se passa no país e no mundo. Há cidadãos que ocupam posição de destaque e que devem sempre ser submetidos a um escrutínio maior. Encaixam-se nessa categoria, entre outras, as celebridades (que vivem de sua exposição pública e muitas vezes recebem subsídio estatal); as empresas de mídia jornalística e os jornalistas (pois uma de suas funções é justamente a de investigar o que está certo ou errado no cotidiano do país); grandes empresários; quem faz doações para campanhas políticas; funcionários públicos; políticos em geral. E há os casos ainda mais explícitos: empreiteiros citados em grandes escândalos, doleiros, bicheiros e traficantes.

Todas as apurações devem ser criteriosas e jamais expor alguém de maneira indevida. Um grande empresário que opta por abrir uma offshore, declarada devidamente, tem todo o direito de proceder dessa forma. Mas a obrigação do jornalismo profissional é averiguar também os grandes negócios e dizer como determinada empresa cuida de seus recursos –sempre ressalvando, quando for o caso, que tudo está em conformidade com as leis vigentes.

Muitos dos brasileiros citados na série Pandora Papers, como demonstrarão as reportagens nos próximos dias, responderam pró-ativamente ao Poder360. Apresentaram comprovantes da legalidade de seus negócios no exterior. São cidadãos que contribuem para bem comum ao entender a função do jornalismo profissional de escrutinar quem está mais politicamente exposto na sociedade.

A série Pandora Papers é a 8ª que o Poder 360 fez em parceria com o ICIJ sobre empresas em paraísos fiscais. É uma contribuição do jornalismo profissional para oferecer mais transparência à sociedade. Seguiu-se nesta reportagem e nas demais já realizadas o princípio expresso na frase cunhada pelo juiz da Suprema Corte dos EUA Louis Brandeis (1856-1941), há cerca de 1 século sobre acesso a dados que têm interesse público: “A luz do Sol é o melhor desinfetante”. O Poder 360 acredita que dessa forma preenche sua missão principal (https://www.poder360.com.br/politica-editorial/) como empresa de jornalismo: “Aperfeiçoar a democracia ao apurar a verdade dos fatos para informar e inspirar”.

Publicado originalmente em Poder 360.

Compartilhe

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on telegram
Telegram
Share on whatsapp
WhatsApp

Deixe um comentário