As ilusões de Classe

3. As Ilusões de Classe

As ilusões da Executiva — perdoem-me os companheiros — permanecem intactas. Daí porque a vimos refletidas nas ilusões de uma boa parte dos dirigentes e militantes que acreditavam em líderes burgueses, como Juscelino, Jânio, Adhemar, Amauri Kruel, Justino Alves e outros, e tinha esperança na resistência que prometiam fazer contra a ditadura. O episódio da cassação de Adhemar não foi, porém, a última decepção.Temos agora o caso da “frente ampla”. A Executiva manifestou-se com inequívocas simpatias pela “frente ampla”, renunciando a criticá-la e a esclarecer às massas sobre o seu significado.

Lacerda — líder fascista — quer fazer seu próprio partido, exibindo-se como popular e reformista.A Executiva acha tudo isto um “fato político positivo” (“A Voz Operária”, n.22, nov. 1966), admitindo que a “frente ampla” venha a ter a capacidade de lutar contra a ditadura, pelas liberdades e os interesses reais do povo brasileiro.

A jogada de Lacerda é abrir novos caminhos para servir ao imperialismo norte-americano e evitar a liberação nacional de nosso povo. Lacerda é incapaz — por sua situação de classe — de lutar realmente pelo povo, contra o latifúndio e o monopólio da propriedade privada da terra, em favor dos camponeses e em favor da classe operária. O que Lacerda pretende — segundo se deduz dos fatos — é a colaboração de classes, é a conciliação que leva ao apoio a Costa e Silva.

A Executiva silencia sobre isto, ajuda a semear ilusões.

As ilusões são justificadas em nome da propalada política ampla, em nome do combate ao sectarismo e ao esquerdismo, enquanto se despreza a luta em favor da ideologia do proletariado. Esquece-se o papel do partido marxista, da sua independência de classe e cai-se no reboquismo ante a burguesia.

Em vez de combater as ilusões, apressou-se a Executiva a combater o revanchismo, adotando uma posição burguesa como se não devêssemos ajustar contas com a ditadura à maneira proletária, ou seus crimes e chamar seus autores à responsabilidade. Como se não devêssemos apostar ao proletariado os criminosos golpistas, denunciar “à maneira plebéia”, segundo diria Marx em seu tempo.

👆 trecho da carta de Marighella, de 1° de dezembro de 1966, em que ele pede “demissão” da executiva do PCB.

Carta na íntegra disponível aqui.

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